segunda-feira, dezembro 23, 2013

Boas Festas!


Um último post antes do Natal, só para desejar Boas festas a todos e dar mais um docinho, excelente para oferecer e suficientemente fácil para fazer ainda para amanhã! Os americanos chamam-lhe bark, que significa casca de árvore, e na sua versão mais fácil e “informal” é, realmente, o que parece. Há muitas receitas de bark por essa internet fora, com chocolate negro, branco ou de leite, e com tudo o que se possa imaginar espalhado por cima. Desde as versões só com frutos secos, às que têm marshmallows e, até, bolachas Oreo, há de tudo.

A bark americana é feita simplesmente espalhando o chocolate derretido numa superfície plana e polvilhando as coberturas por cima de forma mais ou menos aleatória. Esta versão, que também se pode encontrar em vários sítios, dá um bocadinho mais trabalho e demora um pouco mais, mas mesmo assim é super-fácil de fazer e o resultado é um bocadinho mais bonito, fica melhor para oferecer. Curiosamente, vi há dias esta explicação sobre a origem deste tipo de chocolate no excelente blog Trem Bom. Se não conhecem, passem por lá, vale bem a visita.

No ano passado fiz algumas versões de bark para oferecer no Natal. Não me lembro de todas mas sei que fiz uma com chocolate branco, bagas goji e sementes de abóbora, com uma pitada de flor de sal com pólen de abelha por cima, que ficou mesmo muto boa e particularmente festiva. Este ano, para oferecer a duas pessoas especiais (embora por razões diametralmente opostas), fiz esta versão. Os frutos que usei foram os que tinha em casa: amêndoas levemente torradas, cajus idem, avelãs e bagas goji para dar doçura e um toque festivo.

Ingredientes (para 40 medalhões com 4-5 cm de diâmetro):
400 g chocolate negro 60% cacau (menos os bocadinhos que fui comendo pelo caminho)
40 amêndoas torradas
40 cajus torrados
40 avelãs
Bagas goji
Flor de sal com pólen de abelha (eu fiz a minha, mas há uma excelente aqui)

Derreter o chocolate em banho-maria. Para temperar o chocolate, uso o procedimento que aprendi com a maravilhosa Ina Garten: picar o chocolate o mais fino que se conseguir; derreter 75% do chocolate até estar completamente líquido; retirar do lume, acrescentar o restante chocolate e mexer até estar completamente derretido. Como não sabia quanto tempo iria demorar a fazer os medalhões todos, retirei o tacho do lume e deixei o chocolate em cima, para se manter derretido.

Num tabuleiro forrado com papel vegetal deitar uma colherada de chocolate derretido, deixando que se espalhe em círculo. Por cima colocar os frutos secos: uma amêndoa, um caju, uma avelã e 2 ou 3 bagas goji. Polvilhar com uma pequeníssima pitada de flor de sal e deixar solidificar.


Para acelerar o processo, podem-se fazer vários medalhões de cada vez: eu fazia 4, os que cabiam em fila no tabuleiro. Usei dois tabuleiros para fazer os 40 medalhões. Esta quantidade demorou uns 30 a 40 minutos a fazer e talvez mais uns 30 a 40 a solidificar. Depois disso, podem guardar-se dentro de uma caixinha, ou colocar em sacos de celofane, atar com uma fita e oferecer.

quarta-feira, dezembro 11, 2013

As Últimas Prendinhas

Para aquele cabaz de prendas fiz, ainda, mais duas coisas, as duas tão simples que vão ficar aqui juntas. Uma delas é uma ideia excelente para juntar a iogurte, ou gelado, ou até para pôr por cima de panquecas (como estas): é um topping de mel e frutos secos. Pode-se fazer com estes frutos que usei, ou com outros quaisquer do agrado de quem faz ou de quem vai receber. Recomendo que se use um mel bem líquido, eu não tinha, usei um mais espesso e demorou mais de uma hora a entranhar-se cobrir os frutos. Se o mel for mais líquido, escorre melhor e é mais rápido. Como é uma coisa tão simples, quanto melhores forem os ingredientes, melhor é o resultado final, pelo que recomendo usar um mel de boa qualidade e frutos o melhor que se conseguir arranjar.

A outra é simplesmente uma mistura de chá com especiarias, mas feita em casa e, portanto, totalmente personalizável. Os americanos chamam a isto Chai, o que é um perfeito disparate porque Chai quer dizer, literalmente, chá… Aqui, mais uma vez, pode-se fazer aquilo que se quiser. Eu usei chá verde porque a pessoa que recebeu gosta particularmente deste tipo de chá, e usei algumas especiarias sugeridas no site The Kitchn (já agora, recomendo vivamente a visita, é fabuloso!), mas adaptei porque não tinha algumas coisas e tinha outras, e de algumas não gostava e gostava de outras.


Mel com frutos secos (adaptado da incontornável e sempre perfeita Martha Stewart)
½ ch. nozes em pedaços
¼ ch. alperces secos, cortados em pedaços pequenos
¼ ch. bagas goji
Mel para cobrir

Numa taça misturar todos os frutos secos. Colocar num frasco com tampa e cobrir com o mel. Deixar escorrer por entre os frutos e, se necessário, usar um palito de espetadas para retirar as bolhas de ar entre os frutos e o frasco. Fechar, cobrir a tampa com um círculo de tecido bonito, atar com uma fita, prendendo uma pequena colher (usei de madeira) e oferecer a alguém com muita sorte! :-)


Chá verde com especiarias (adaptado daqui)
12 vagens de cardamomo
½ c. chá pimento preta em grão
½ c. chá cravinho
2 paus de canela
1 c. chá pimenta da Jamaica
1 c. sopa gengibre seco picado
1 ch. folhas de chá verde


Tostar todas as especiarias excepto o gengibre apenas até ficarem aromáticas. Como são poucas, pode-se fazer uma frigideira seca ou, como eu fiz, no grill do micro-ondas: põem-se num pequeno tabuleiro que possa ir ao forno e levam-se ao micro-ondas só com o grill ligado 3 a 5 minutos, mexendo pelo menos uma vez a meio. Deixam-se arrefecer, esmagam-se levemente num almofariz e misturam-se com o chá. Deita-se num frasco e fecha-se bem. Para fazer um chá, usa-se uma colher de chá por chávena e deixa-se em infusão 3 a 5 minutos. Fica particularmente bem adoçado com mel.

domingo, dezembro 08, 2013

Azeite de Alho e Limão



Aqui está mais uma ideia para prenda: um azeite aromatizado, colocado numa garrafinha bonita. Este foi inspirado por uma receita da Ina Garten (outra vez), mas a ideia serve para qualquer combinação de sabores que se queira fazer. Há uns anos fazia um azeite aromatizado com alho, louro e piri-piri que também era muito bom, inspirada por um azeite que é servido num dos meus restaurantes favoritos em Bragança, o Gôndola.

É mais um método do que uma receita, adaptem ao vosso gosto. Não é necessário aquecer o azeite, mas esse passo acelera a infusão de sabores. Se não o fizerem, aconselho a fazer o azeite pelo menos uma semana antes de o utilizar ou oferecer, de preferência mais. Este conjunto de ingredientes produz um azeite com um forte sabor a limão, particularmente adequado para guarnecer peixes ou usar em saladas, essencialmente para usar em tudo o que fique bem com limão.

Ingredientes:
0,5 l azeite
4 dentes de alho grandes
Casca de 1 limão
2 ramos alecrim fresco
4 malaguetas secas pequenas, ou a gosto (ou nenhuma)


Numa caçarola, colocar o azeite e o alho. Levar ao lume, deixar levantar fervura, e deixar fervilhar em lume brando durante 5 minutos. Retirar do lume, juntar os restantes ingrediente e deixar arrefecer completamente. Deitar em garrafas e guardar. A receita da Ina Garten manda guardar no frigorífico, mas não me parece necessário. Por um lado, não acredito que o azeite se estrague com tanta facilidade assim. Por outro, não dura o tempo suficiente para se estragar ;-)

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Frutos Secos Tostados com Alecrim e Mel


Nesta altura, em que começa a correria para o Natal, achei que era bom eu colocar aqui algumas das coisas que, nos últimos tempos, fiz para prendas. Um cabaz recheado com algumas coisas feitas por nós é uma prenda pelo menos tão boa como qualquer outra que se possa comprar e para o aniversário desta amiga foi o que fiz. Uma das coisas que lhe coloquei no cabaz foi um frasquinho com estes frutos secos. A receita é da Ina Garten, alguém que tem receitas absolutamente fabulosas pela simplicidade e sabor. Se não conhecem nada dela pesquisem no site da Food Network. Já experimentei várias receitas do repertório dela, doces e salgadas, e nenhuma me deixou mal. Apenas fiz adaptações por não ter acesso a alguns dos ingredientes. Os frutos secos que se usam podem ser completamente adaptados ao que se gosta ou se tem por perto. Usei as sementes de abóbora porque andavam lá por casa há algum tempo, a pedir para serem comidas.

Tenho que deixar aqui um aviso à navegação: isto é muito fácil de fazer, e ainda mais fácil de comer. A quantidade de frutos secos que se usa dá vários frascos que se podem oferecer a várias pessoas. Podem e devem, porque são completamente viciantes e se não os puserem de casa para fora com toda a rapidez vão acabar por come-los todos. Estou só a avisar… Podem-se reduzir as quantidades, mas, sinceramente, porque é que alguém faria uma coisa dessas?


Ingredientes (adaptado daqui):
3 ch. nozes
2 ch. cajus
2 ch. amêndoas, com ou sem pele (usei com, porque sou preguiçosa)
½ ch. sementes de abóbora
2 c. sopa azeite
1/3 ch. mel
¼ ch açúcar amarelo
1 c. chá pimentão picante (usei espanhol, que compro em Bragança)
4 c. sopa alecrim fresco picado
4 c. chá sal fino

Aquecer o forno a 180º e forrar um tabuleiro grande (usei o do forno) com papel vegetal.

Numa taça grande, misturar os frutos secos, as sementes de abóbora, o azeite, o mel, o açúcar, o pimentão picante, 2 c. sopa de alecrim e 2 c. chá de sal. Misturar muito bem para envolver os frutos nos temperos. Deitar no tabuleiro preparado e levar ao forno. Deixar tostar, virando várias vezes os frutos para tostarem uniformemente, até estarem dourados e caramelizados. No meu forno demorou entre 15 e 20 minutos.


Tirar do forno e deixar arrefecer, mexendo várias vezes enquanto arrefecem. Assim que se consiga pegar nos frutos, separa-los um a um para não ficarem colados. Guardar em frascos de vidro fechados, enfeitar com pedaços de tecido e fitinhas e oferecer. Ou comer um de cada vez até acabarem… :-)

sábado, novembro 30, 2013

Maçã e Canela


Esta semana uma amiga mais que querida fez anos e eu ofereci-me para lhe fazer um bolo de aniversário. É uma das minhas amigas mais antigas (ou seja, é minha amiga há muito, muito tempo) e leais, uma amizade como eu sei que não vou encontrar em mais lado nenhum, que já deu provas de ser amiga nos bons e, principalmente, nos maus momentos. Por isso, o bolo teria que ser algo muito especial. Quando lhe perguntei qual o sabor que ela queria para o bolo, e depois de algumas sugestões da minha parte, ela escolheu uma combinação que eu adoro: maçã e canela. O que me deixou imensamente feliz porque me daria a oportunidade de experimentar uma receita nova, mas extremamente preocupada porque tinha que ser uma receita nova.

Nas minhas pesquisas, acabei por recorrer a alguém que ainda não me deixou ficar mal: Martha Stewart. O bolo é um bolo de maçã caramelizada e canela e, além de ser lindo por dentro e por fora, é delicioso. A massa do bolo, depois de lhe juntar as maçãs caramelizadas, é tão boa que apetece come-la à colher. É um bolo mais trabalhoso do que eu normalmente faço, mas vale bem a pena. Não é difícil, pelo contrário, apenas exige uma batedeira porque bater manteiga com açúcar sem ela é uma seca. Podem-se comprar as nozes já moídas ou substituir por outro fruto seco a gosto, mas as nozes picadas em casa ficam com uma textura mais grosseira que traz algo ao bolo. A textura do bolo é fantástica, muito húmida da enorme quantidade de maçãs (vêem-se bem na foto), ligeiramente crocante das nozes, muito boa. Não é, ao contrário do que possa parecer, doce demais e o sabor predominante é o da maçã. Ao que me contou a aniversariante, estava ainda melhor no dia seguinte! :-)


Finalmente, como era um bolo de aniversário, ainda por cima especial, tinha que ser devidamente enfeitado. Foi o que fiz, com pasta de açúcar e um buttercream de maçã e canela que, na realidade, é mais de açúcar mascavado e canela, mas que ficou delicioso. Ficaria óptimo num bolo de bolacha! O anjo fui eu que fiz, em pasta de açúcar, e devo dizer que foi mesmo muito fácil de fazer. Segui as instruções daqui. O vídeo está em três partes e está muito bom. Mudei um bocadinho as asas, não pus os pés e fiz as mãos mais simples, mas segui as instruções e o resultado acho que não está mau. O meu filho adorou o anjo, queria brincar com ele. :-)


Bolo de maçã caramelizada e canela (adaptado ligeiramente daqui):

Para as maçãs:
60 g manteiga
850 g maçãs Granny Smith (usei 5), descascadas, sem caroço e partidas em pedaços pequenos (cerca de 0,5 cm)
1 ch. Açúcar
1 c. chá canela
125 ml sumo de maçã
4 c. sopa rasas de farinha sem fermento

Derreter a manteiga numa frigideira antiaderente. Juntar as maçãs e mexer para envolver. Juntar o açúcar, a canela e o sumo. Deixar levantar fervura em lume forte, baixar o lume para médio e deixar cozinhar até as maçãs estarem transparentes e douradas e todo o líquido evaporar. As maçãs ficam apenas envolvidas num molho espesso da cor do caramelo. Deixar arrefecer. Imediatamente antes de juntar ao bolo, misturar a farinha só até estar distribuída uniformemente (não faz mal se ainda se vir farinha no meio das maçãs).

Para o bolo:
250 g manteiga ou margarina, à temperatura ambiente
1 ½ ch. açúcar
¼ ch. açúcar mascavado escuro
4 ovos
3 ch. farinha sem fermento
2 ½ c. chá fermento em pó
2 ½ c. chá bicarbonato de sódio
2 c. chá canela
½ c. chá sal
1 iogurte natural sem açúcar
120 g nozes, tostadas (esqueci-me de as tostar) + ¼ ch. farinha sem fermento

Barrar com manteiga e polvilhar com farinha uma forma redonda, sem buraco. Aquecer o forno a 180º. Juntar as nozes e a farinha na picadora e picar até ficarem o mais finas possível. Numa taça média juntar a farinha, o fermento, o bicarbonato de sódio, a canela e o sal. Mexer bem com um batedor de varas para incorporar.

Bater a manteiga com os açúcares com a batedeira, até o preparado ficar fofo e leve. Juntar os ovos um de cada vez, batendo bem entre cada um. Com a batedeira na velocidade mínima, juntar a mistura de farinha em duas partes, intercalando com o iogurte. Juntar as nozes e as maçãs, envolvendo com uma espátula ou colher grande até as maçãs estarem distribuídas uniformemente pela massa. Deitar na forma e levar ao forno 45 a 55 minutos. Desenformar, virar para cima e deixar arrefecer, de preferência sobre uma grade.

O bolo fica húmido e, porque é difícil saber exactamente quando está cozido (o teste do palito é inútil por causa da enorme quantidade de maçãs e caramelo), acabou por cozer demais. Usei uma forma de 25 cm e cozi-o por 1 hora, mas acho que o deveria ter tirado do forno uns 5 minutos mais cedo. Aconselho a tirar do forno quando estiver dourado uniformemente e as laterais aparecerem já douradas.


Buttercream de Maçã e Canela:
250 g manteiga sem sal, à temperatura ambiente
½ ch. açúcar mascavado escuro
1 ch. açúcar em pó
1 pitada de sal
2 c. chá canela
4 c. sopa sumo de maçã

Bater a manteiga com o açúcar mascavado escuro até incorporar completamente. Juntar o açúcar em pó, o sal e a canela e bater novamente, até estar fofo e ligeiramente mais claro. Juntar o sumo de maçã, uma colher de cada vez, batendo muito bem entre cada adição, até estar mais fofo e até o açúcar não se notar nos dedos ou o máximo que a batedeira aguentar. A minha está nas últimas, nunca consigo a textura aveludada que gostaria nestes cremes. Desta vez não tive tempo de o fazer, mas para a próxima vou reduzir meia chávena de sumo de maçã até ficar com metade e uso esse xarope em vez do sumo simples. Deve ficar com um sabor mais pronunciado a maçã.


Partir o bolo a meio e rechear e cobrir com o creme. Para partir o bolo usei uma faca de serrilha para dar um golpe a toda a volta e, depois, um arame fino que comprei para fazer o halo do anjo que está em cima do bolo. Resultou lindamente.

quarta-feira, novembro 20, 2013

Boas notícias!


Como quem me conhece sabe e já aqui disse por duas vezes, praticamente desde que nasceu o Diogo usa um aparelho para dormir, umas botas ligadas com uma barra para manter a correcção do seu pé boto. Inicialmente usava-as todo o dia, apenas as tirando para tomar banho. Depois foi reduzindo o tempo que passava com elas e, ultimamente, já as usava praticamente apenas para dormir. Desde os dois meses de idade essa era a realidade dele. Até ontem. Ontem foi dia de consulta no Hospital de S. João, com o Dr. Nuno Alegrete que o segue desde a barriga da mãe, e chegaram finalmente as melhores notícias que podíamos ter, aquelas que esperávamos há 4 anos: é hora de deixar as botas!

A correcção está feita, o pé do Diogo está, como todos os que o conhecem sabem, feita, o pé esquerdo dele, embora diferente do direito, é completamente funcional e quem não sabe o que se passa dificilmente o descobre de olhar para ele. Sempre soubemos que os 4 anos seriam o momento de deixar de usar o aparelho, mas as coisas nos últimos tempos não têm andado perfeitas e estávamos apreensivos. As boas notícias vieram e estamos todos para lá de felizes. O Diogo dormiu ontem, pela primeira vez desde os 2 meses de idade, com os pés descalços (pronto, calcei-lhe umas meias, está frio!) e adorou. Quando acordou e percebeu, ao fim de uns minutinhos, que não tinha as botas calçadas, saltou imediatamente da cama e não parou de saltar até chegar à escola! :-)

Ontem à tarde, em casa, disse-lhe que era dia de festa e que podíamos fazer, no fim-de-semana, uma sobremesa especial para comemorar. Quando lhe perguntei o que queria, a resposta foi imediata: Terra! Com minhocas! Foi uma receitinha que fiz para o Halloween e que ele ADOROU! Vêem-se muitas variações desta receita em sites e blogs americanos, não apenas para o Halloween, mas como ideia de sobremesa engraçada para crianças em qualquer altura do ano. Experimentem, cá por casa todos gostámos e vamos fazer a festa outra vez no fim-de-semana!

Minhocas na Terra (adaptado daqui)
¼ ch. Cacau em pó
6 c. sopa açúcar
3 c. sopa amido de milho
1 pitada de sal
200 ml natas
450 ml leite
1 c. chá extracto de baunilha
1 c. sopa manteiga
100 g chocolate de culinária
Bolachas de chocolate (usei Oreos com recheio de chocolate)
Minhocas de gomas

Numa caçarola, levar ao lume as natas e quase todo o leite (reservar apenas 100 ml). Partir o chocolate em pedaços e reservar. Moer as bolachas de chocolate no robot de cozinha (ou coloca-las dentro de um saco fechado e esmaga-las com o rolo da massa) até estarem em migalhas finas.

Numa taça misturar o cacau, o açúcar, o amido de milho e o sal. Mexer bem com uma vara de arames e juntar o leite frio reservado e a baunilha, mexendo sempre até todos os ingredientes estarem bem incorporados. Assim que o leite e as natas começarem a querer ferver, deitar devagar sobre a mistura de cacau, mexendo sempre. Voltar a deitar na caçarola e levar a lume brando, mexendo constantemente até engrossar. Atenção, este processo é muito rápido e a mistura engrossa muito. Não é a hora de olhar para o lado.

Assim que o amido de milho estiver cozinhado (provar um pouco, não deve sentir-se o sabor do amido, apenas do leite e do cacau), retirar do lume e juntar o chocolate e a manteiga. Mexer muito bem com a vara de arames, até estar todo o chocolate derretido e perfeitamente incorporado no creme.


Deitar em taças ou ramequins (em taças de vidro vêem-se as camadas, para ficar mais realista pode-se servir em vasos pequeninos de barro. Não tinha nem uma coisa nem outra, usei estes ramequins). Enterrar algumas minhocas em cada taça e deixar metade de uma ou duas de fora. Espalhar as bolachas esmigalhadas por cima até cobrirem todo o creme, mas não as minhocas. Levar ao frigorífico até esfriar. Servir a crianças (e adultos) marotos e felizes! :-)

segunda-feira, outubro 21, 2013

Cake Pops


A base é um bloco de esferovite da TV que comprámos há tempos, embrulhada em papel crepe.

Ainda o aniversário do Diogo. É verdade, fiz muita coisa, muitas receitas doces e salgadas, algumas com muito sucesso, outras nem tanto. No que diz respeito aos doces, para além do bolo de aniversário e dos cupcakes do Mickey, fiz gelatinas, mousse de chocolate e baba de camelo, que servi em copinhos de plástico, daqueles que servem para o café. Acho que foi uma boa ideia, que já vi em vários sítios. Os copinhos são muito mais fáceis de agarrar e comer do que uma taça grande para servir em taças mais pequenas. Ainda por cima, quando se trata de crianças, os copos de plástico pequenos são do tamanho das mãos deles, mais difíceis de deixar cair e, ainda que caiam, não partem. A mousse ficou muito boa, um diz destes ponho cá a receita, a baba de camelo nem tanto. Separou… Ainda preciso de a aperfeiçoar (aceitam-se sugestões).

Como o tema era o Mickey, fiz também umas bolachinhas com o formato (mais ou menos) da cabeça do Mickey. Ficaram muito boas e foram os doces que mais se comeram. Usei uma receita que uso sempre e um método muito simples, mas fica para a próxima. Para já, o assunto são os cake pops. Andava com vontade de os experimentar há séculos, na verdade desde que descobri o site da Bakerella. Ela faz verdadeiras obras primas em forma de bolinha de bolo, mas eu não tinha ideias de fazer nada tão elaborado (nem acredito que o conseguisse!). A minha intenção inicial era fazer estes, mas acabou por não dar (não perguntem!).

No fim de contas, fiz apenas umas bolinhas cobertas de uma cobertura da cor do chocolate (mas que não era chocolate) e com granulado colorido. O efeito ficou giro e os cake pops ficaram deliciosos. Um aviso, no entanto: por alguma razão que ainda não consegui descortinar, os miúdos (para quem se destinavam, em última análise, os docinhos) não tocaram nos cake pops. Não sei porquê, estavam bons e nos dias seguintes fizeram sucesso com o Diogo lá em casa, mas na festa ninguém lhes tocou (os adultos também não os quiseram). Mas são giros, fáceis de fazer e enfeitam muito uma mesa de aniversário. Demoram algum tempo a fazer, mas afinal, nestas coisas, o que é que não demora?...

Cake Pops (receita adaptada daqui, criada pela Bakerella)
1 bolo de chocolate (usei uma receita que nem coloco de tão má, mas os pops ficaram bons na mesma)
1 ch. creme de manteiga (buttercream)
1 pacote de candy melts (usei estes)
Palitos para cake pops (ou palitos de espetadas)

Fazer um bolo, qualquer, com qualquer receita. Não precisa de ser de chocolate, mas foi o que usei. A receita que usei deu um bolo normal, que cozi em forma de buraco, mas que ficou mesmo muito mau. No final, com o buttercream e a cobertura, acabou por ficar na mesma saboroso. A Bakerella recomenda usar um bolo instantâneo e parece-me que o resultado final seria igualmente bom (se não melhor, o meu bolo ficou mesmo fraquinho).

Depois de frio, desfazer o bolo até estar em migalhas, à mão ou no robot de cozinha. Juntar o creme de manteiga e misturar bem. Usei um resto do creme que tinha feito para decorar o bolo que o Diogo levou para a escolinha que fiz com 250 g manteiga, 350g a 400 g (não medi, foi a olho) de açúcar em pó e 1 c. sopa extracto de baunilha. Pode não ser necessário todo o creme, a massa deve ficar apenas suficientemente húmida para se poderem moldar as bolinhas com facilidade: se apertarmos um pouco de massa na mão, deve ficar junta. Fazer bolinhas com 2 ou 3 cm de diâmetro, coloca-las num tabuleiro forrado com papel vegetal e levar ao congelador cerca de 30 minutos.

Derreter os candy melts no micro-ondas (atenção, derretem em menos de um ai) numa caneca funda e estreita. Eu derreti metade de cada vez porque a caneca era pequena e resultou bem. Retirar as bolinhas do congelador, mergulhar a ponta de um palito na cobertura, espetar na bolinha de bolo e mergulhar de seguida toda a bolinha na cobertura. Não rodar (senão a bolinha sai), apenas mergulhar e, se necessário, ajudar com uma colher pequena. Retirar, deixar escorrer o excesso de cobertura e espetar num pedaço de esferovite para secar. Para cobrir com os confeitos, polvilhar com a mão por cima da cobertura imediatamente. É melhor fazer isto em cima de um prato, para não ir tudo para o chão.

Esta cobertura seca muito rapidamente. Eu tinha três filas na minha esferovite, quando acabava a terceira fila de cake pops, a primeira estava seca e podia retira-la para um prato para colocar os outros a secar. Esta quantidade deu mais de 50 bolinhas de cerca de 2 cm de diâmetro. A cobertura deu para cobrir menos, talvez entre 30 e 35 (não contei…). Os outros ficaram no congelador. Fiz novamente ontem, cobertos com chocolate branco e ficaram muito bons.


Os candy melts não têm um sabor particularmente bom, mas também não sabem mal e são muito mais fáceis de utilizar do que chocolate, por exemplo. Dentro do chocolate, o branco é muito mais fácil de trabalhar do que o negro, desde que seja de boa qualidade. Comprar chocolate branco de má qualidade para derreter dá mau resultado (confiem em mim, eu já experimentei e não recomendo!). Os candy melts podem-se encontrar em praticamente todas as cores que se possa imaginar, são fáceis de trabalhar e secam duros e muito depressa.

quinta-feira, outubro 17, 2013

4 Aninhos!




Na semana passada o meu piolho fez 4 anos. Como não podia deixar de ser, no Domingo foi dia de festinha cá em casa, e desta vez ele foi muito claro naquilo que queria: uma festa do Mickey e um bolo da casa do Mickey. E então lá teve que ser, um bolo da casa do Mickey Mouse. Ele tinha dito, também, que queria um bolo de baunilha, com cobertura de baunilha, mas eu tomei alguma liberdade e fiz o bolo de limão, recheado de compota de morango e creme de manteiga de limão, e coberto com creme de manteiga de limão a pasta de açúcar.

O bolo foi apenas uma das coisas que fiz (e nem sequer a que me deu mais trabalho). O resto cá virá parar a seu tempo. Para já, fica o bolo e os cupcakes. A receita de bolo que usei foi esta (a da base), mas cortei o açúcar pela metade e acrescentei raspa de limão em vez da baunilha. Fiz duas receitas para a base, cozidas em tabuleiros de 25x40 cm, e mais uma receita (sem limão, apenas de baunilha) para a parte vermelha da casa do Mickey e alguns queques. Como também queria fazer cupcakes, aproveitei logo alguns, mas depois fiz ainda mais uma receita para fazer mais queques.

O recheio do bolo foi simplesmente compota de morango. Usei caseira porque tinha cá em casa, se não tivesse talvez tivesse usado os morangos cortados em pedacinhos. Por cima da compota coloquei creme de manteiga com sabor de limão, o mesmo que usei depois para cobrir o bolo todo. 


Buttercream de limão (adaptada de várias receitas que vi pela internet, como esta)

250 g manteiga sem sal à temperatura ambiente
400 a 500 g açúcar em pó
Sumo e raspa de 1 limão
Uma pitada de sal

É muito importante, para fazer buttercream (ou creme de manteiga), que a manteiga esteja mesmo mole, mas não derretida. Não aconselho amolece-la no micro-ondas como costumo fazer para outras coisas, porque acaba sempre por derreter uma parte e depois não me parece que fique grande coisa. O melhor é mesmo tira-la do frigorífico no dia anterior e deixar amolecer. Se estiver frio, pode-se tirar a manteiga quando se estiver a cozer os bolos e pô-la perto do forno. Amolece num instante. Pode-se usar margarina, mas a consistência e o sabor ficam completamente diferentes.

Colocar todos os ingredientes numa taça grande (começar por colocar 400 g de açúcar ou até menos e deitar o resto depois, apenas se for necessário) e bater com a batedeira, começando com uma velocidade baixa (senão o açúcar voa pela cozinha fora) e aumentando gradualmente a velocidade. Bater alguns minutos (2 ou 3 com uma batedeira pequena e velhinha como a minha), até estar fofo e leve. Se estiver muito líquido, juntar o restante açúcar aos poucos. Se estiver muito espesso, juntar colheres de chá de leite até ficar mais fofo. Usar imediatamente para rechear e cobrir os bolos já frios ou guardar no frigorífico até ser necessário. Se assim for, retirar do frigorífico pelo menos uma hora antes de usar e voltar a bater até ficar novamente leve e fofo.

Este creme fica com um sabor muito forte a limão. Se se desejar fazer algo com um sabor menos pronunciado, não colocar o sumo de limão ou pôr apenas metade. Nesse caso, as 400 g de açúcar devem ser mais que suficientes. Esta quantidade deu para rechear e cobrir um bolo que, no final, tinha 25x40 cm e 5 a 6 cm de altura. Sobrou um bocadinho, umas 3 ou 4 colheres de sopa.


Quanto aos cupcakes, cobri-os com ganache de chocolate e usei mini-oreos separadas para fazer as orelhas do Mickey. Ficaram giros, não ficaram?

Queques do Mickey
1 receita de bolo (usei esta, mas apenas com 300 g de açúcar)
200 g chocolate de culinária
200 ml natas
1 c. chá extracto de baunilha (opcional)
Mini-oreos, separadas

Fazer os queques e deixar arrefecer (ou usar de compra). Picar o chocolate com uma faca de serrilha (não estou a ser picuinhas, é simplesmente mais fácil picar com uma faca de serrilha do que com outra faca qualquer, e o chocolate picado derrete mais depressa e de forma mais uniforme) e deitar numa taça.
Num recipiente que poça ir ao micro-ondas deitar as natas e a baunilha e levar ao micro-ondas até as natas estarem a começar a borbulhar (não deixar ferver). Deitá-las em cima do chocolate e deixar repousar uns minutos (3 a 5 minutos deve chegar). Mexer com uma vara de arames até o preparado estar completamente homogéneo, liso e brilhante.
Pegar nos queques e mergulhar os topos na ganache (até ao papel) até estarem cobertos. Retirar, deixar cair o excesso e pousar numa superfície plana. Imediatamente, fazer um golpe de cada lado do queque e encaixar uma metade de oreo, para fazer de orelhas (tentei com as oreos inteiras, mas não encaixavam e ficavam feias).


A receita de bolo que usei dá para mais ou menos 24 queques. A ganache deve sobrar, mas isso para mim nunca foi problema! Serve para fazer chocolate quente (pôr um bocadinho – ou vários – numa caneca, juntar leite quente, mexer bem e beber, com ou sem natas ou marshmallows) ou trufas (deixar no frigorífico até solidificar, tirar colheradas, fazer bolinhas, rolar em cacau, ou granulado de chocolate ou colorido, ou cobrir com chocolate preto ou branco derretido, e servir) ou comer à colherada!

sexta-feira, março 01, 2013

Doce de Tangerina



Ou Marmalade, como os ingleses lhe chamam. Cá em casa, graças a umas tangerineiras e umas laranjeiras muito produtivas em duas aldeias, têm chovido tangerinas e laranjas. Tangerinas mesmo, daquelas pequeninas e bem perfumadas, que confesso raramente como porque sou preguiçosa e elas têm muitos caroços… Mas são tão doces, e cheiram tão bem, que não se podem estragar. Com 3 adultos e um piolho de três anos em casa, principalmente se tivermos em conta que dois dos adultos passam metade da semana fora, não dá para comer tanto citrino ao natural. Então, deste último carregamento, uma boa parte foi para fazer este doce.

Vi várias receitas, em sites por essa internet fora, em livros que tenho em casa, mais ou menos velhinhos, e de todas a que me agradou mais foi a da Martha Stewart, pela simplicidade. Não exige que se ponha a fruta (ou as cascas) de molho durante a noite nem requer nenhuma sabedoria especial. O único defeito é o tempo que demora a cortar as tangerinas: demorei mais de uma hora a fazê-lo, mas eram muito pequeninas e tinham mesmo muitos caroços. Depois disso, o resto é simples. O doce, a marmalade, a compota, ou lá como queiram chamar-lhe, está uma delícia, com o sabor da tangerina completamente puro, e apenas suficientemente doce para ficar às mil maravilhas numa torrada de pão caseiro com manteiga ou queijo creme. E vivam os citrinos!

Doce de tangerina (adaptado daqui)
1,3 Kg tangerinas inteiras, lavadas e secas num pano
1 limão
4 ch. açúcar (cerca de 850 g)

Cortar as tangerinas ao meio, retirar todos os caroços para uma taça (não deitar fora) e cortar cada metade em fatias muito finas. Deitar numa panela grande, juntamente com todo o sumo que vão largando. Com um descascador de legumes, retirar a casca ao limão e partir em tiras muito finas. Juntar às tangerinas fatiadas. Espremer o sumo do limão e deitar na panela, juntando a parte branca espremida aos caroços das tangerinas.

Com uma gaze grande dobrada, fazer uma boneca com os caroços e o resto do limão e amarrar bem com fio de algodão branco. Colocar na panela com as tangerinas, juntamente com 1,5 l de água. Levar a lume forte até ferver. Reduzir e deixar ferver em bom ritmo (nem em cachão, nem só a borbulhar, algures no meio) durante 20 minutos, ou até as cascas das tangerinas estarem tenras.

Juntar o açúcar e continuar a ferver até ganhar ponto. A receita original diz que deveria demorar 40 a 45 minutos, mas no meu caso demorou mais ou menos 1 hora, talvez um pouco mais. Para saber se está no ponto, colocar um prato durante 10 minutos no congelador. Retirar uma colherada de doce para o prato e voltar a colocar no congelador 2 minutos. Quando estiver pronto deverá formar uma película por cima do doce, que encolhe quando a empurramos com o dedo.

Retirar do lume, colocar ainda quente em frascos esterilizados (bem lavados na máquina da louça serve), fechar bem e virar os frascos de cabeça para baixo. Isto vai fazer com que se crie vácuo dentro dos frascos, retirando o ar que ficou lá dentro e preserva o doce por mais tempo. Em alternativa, colocar os frascos bem tapados dentro de uma panela, cobrir com água e levar ao lume, Depois de levantar fervura deixar fervilhar por 10 minutos, ou até que deixem de sair bolhas de ar dos frascos. Guardar à temperatura ambiente até abrir, e no frigorífico depois de abertos.

Notas:
- O site da Martha não fala em caroços… Talvez as tangerinas americanas não os tenham, mas as minhas tinham e muitos. Como a receita do livro mais velhinho que havia lá em casa (o Doze Meses de Cozinha que eu esventrei de tanto o ver de fio a pavio) mandava pôr os caroços e as partes brancas dos limões numa boneca a ferver com as tangerinas, foi o que fiz. Estas partes dos citrinos têm muita pectina e ajudam a prender o doce. É possível que também lhe dêem um travo mais amargo.

- Os limões que vão aparecendo cá por casa também são caseiros, e por isso muito aromáticos. Assim sendo, resolvi juntar a casca do limão ao doce, mas é completamente opcional. O sumo do limão, bem como a parte branca na boneca, servem para adicionar pectina e para o doce prender melhor. Se não quiserem juntar, possivelmente terá que ferver mais tempo, ou talvez seja necessário acrescentar mais algum açúcar. Aconselho a manter, não se nota nada o limão.

- Porque sou incrivelmente distraída, ainda não tirei fotos ao doce, mas queria postar a receita antes que se acabem as tangerinas. Quando tiver foto, venho cá colocar.