domingo, outubro 14, 2012

Aniversários

Apesar de ter colocado a primeira mensagem aqui no blog muito antes, foi só há dois anos atrás que coloquei a primeira receita, a receita do primeiro bolo de aniversário do Diogo. Os últimos dois anos foram muito difíceis para mim, principalmente em termos profissionais, e desde o ano passado tenho estado muito ausente deste cantinho. A verdade é que hoje tenho muito menos tempo do que antes para dedicar à cozinha e, por isso, ao blog. Ainda assim, o pouco que publico e o feedback de amigos e família, bem como as amáveis palavras de algumas pessoas extraordinárias do food bloguing português que me dão a honra de por cá passar ocasionalmente, têm-me feito um bem que não consigo descrever.

Este blog, e pensar em coisas que aqui posso partilhar com quem me lê, ainda que poucas vezes, foi muitas vezes o escape de que precisei durante o último ano para suportar o que de menos bom a vida me tem dado. Por isso, hoje venho aqui deixar não uma receita, mas uma foto. Uma vez que a primeira receita que veio cá parar foi do bolo de aniversário do Diogo, a foto de hoje é a do bolo do terceiro aniversário dele. A receita do bolo é a mesma, daí que não a coloque. A foto, como todas as outras que por aqui vão aparecendo, não está grande coisa, mas não queria deixar passar em branco esta altura de aniversários: do meu filhote, meu (faço hoje) e deste blog que já é parte de mim.


A todos os meus amigos, à minha família, e a todos os que por aqui foram passando ao longo destes dois anos, o meu muito obrigada! Venham mais dois!

quinta-feira, setembro 06, 2012

Almôndegas



Sempre adorei almôndegas, apesar de cá em casa nunca se terem feito. Não era coisa que a minha mãe fizesse quando eu era criança (até porque quando eu era criança não comia nada a não ser sopa e marisco), nem tinha nenhuma avó, ou tia, ou tia-avó que as fizesse. Simplesmente gostava, ou comecei a gostar quando ganhei o gosto pela comida.

Fazer almôndegas em casa foi algo que só muito recentemente experimentei e não acertei à primeira. Nem à segunda... Mas desta vez, acho que dei com a fórmula certa. Estas ficaram tenras, muito saborosas, suculentas, e são tão fáceis e rápidas de fazer que acho que vão ser repetidas vezes sem conta ao longo do Outono e Inverno. São, definitivamente, comida reconfortante, que sabe bem melhor nos dias frios, e são a minha maneira de dizer ao Outono que tenho saudades dele, está bem na hora de vir expulsar este Verão descarado de calor fora de horas!

650 g carne de vitela (ou outra a gosto) picada
2 pães secos
1 ovo
3 dentes de alho
1 ch. folhas de manjericão (ou salsa)
1-2 c. chá sal (usei o sal para grelhados da Casa do Sal)
3 – 4 c. sopa leite
1 ch. queijo parmesão ralado (opcional)
2 c. sopa salsa picada (opcional)

Num robot, colocar o pão cortado em bocados, os dentes de alho esmagados e sem pele e o manjericão. Picar até estar bem ralado. Numa taça grande, bater o ovo. Juntar a mistura de pão e o leite suficiente para formar uma papa húmida. Juntar a carne, temperar com sal e misturar bem com um garfo, até estar homogéneo. Não amassar com as mãos para que a mistura se mantenha leve e não compacta. Formar as almôndegas.

Num tacho largo deitar o molho de tomate. Levar a lume forte e, quando levantar fervura, juntar as almôndegas com cuidado, numa só camada. Deixar retomar a fervura, baixar o lume e tapar. Cozer, sem virar, 3 a 5 minutos, para ficarem firmes. Virar e voltar a tapar. Cozinhar até que estejam totalmente cozidas, mas tenras, cerca de 20 minutos, regando de vez em quando com o molho do tomate. Se necessário, juntar um pouco de água para que o molho não seque.

Depois de cozido, retirar do lume, espalhar por cima o queijo ralado e a salsa, tapar apenas por 1 a 2 minutos para derreter o queijo e servir.

Notas:
- A quantidade de leite que se usa para as almôndegas depende do pão: se estiver muito seco (como o meu estava), absorve mais leite, se estiver mais fresco, absorve menos. A ideia é formar uma papa húmida, portanto ajustem a quantidade de leite em conformidade;

- Para formar as almôndegas usei uma colher de gelado e esta mistura rendeu 17, bem grandes (lá em casa não comemos mais de 10 de cada vez, 3 por adulto e mais uma para o Diogo);

- Depois de formadas, as almôndegas podem ser cozinhadas imediatamente, ou congeladas (que foi o que eu fiz). Para as congelar, colocar num tabuleiro grande, numa só camada, e levar ao congelador até estarem totalmente congeladas. Retirar para uma caixa ou um saco plástico, fechar bem e guardar. Para cozinhar, saem directamente do congelador para o tacho e cozem por mais 5 a 10 minutos.

sexta-feira, agosto 31, 2012

Pato com Abacaxi



Adoro comida chinesa, sempre adorei. Aliás, adoro comida oriental, os cheiros e sabores das especiarias orientais deixam-me literalmente tonta. Mas não adoro comer em restaurantes chineses… O meu problema com os restaurantes chineses é só um: MSG, ou monoglutamato de sódio.

Durante vários anos comi comida chinesa quase semanalmente, até que a dada altura comecei a sentir fortes dores de cabeça sempre que ia a um restaurante chinês. A princípio pareceu-me estranho, mas a verdade é que a dor de cabeça começava uns 10 a 15 minutos depois de começar a comer e durava várias horas. Depois de algumas pesquisas na internet, descobri que não era impressão minha, era antes uma reacção alérgica ao mal-fadado MSG – um intensificador de sabor muito usado pelos restaurantes chineses fora da China…

Assim, deixei de ir a restaurantes chineses, mas deixar de comer comida chinesa estava completamente fora de questão. Então fiz o que sempre faço nestas ocasiões: procurei até encontrar receitas que me agradassem e que pudesse facilmente fazer em casa. Esta é uma delas, pensada para substituir uma receita de Pato no Ananás que comíamos num dos nossos restaurantes chineses favoritos. Não ponho o pato no ananás (dá trabalho demais...), mas posso assegurar que fica delicioso!

Para 3 pessoas:
2 peitos de pato
1 clara de ovo
3 c. sopa maizena
1 fatia grossa (2 cm) de abacaxi, descascado, sem o centro, e cortado em pedaços de cerca de 1 cm de lado
1 cebola pequena, descascada e cortada em bocados de cerca de 1 cm
1 cenoura pequena, descascada, partida ao meio e cortada em meias rodelas de 2 a 3 mm de espessura
1 pimento verde pequeno, lavado, sem sementes e cortado em bocados de 2 cm
200 g. cogumelos shitake, limpos, sem pé, cortados ao meio (ou em 4 se forem grandes)
3 – 4 c. sopa azeite ou manteiga (ou uma mistura dos dois)
Sal e piri-piri a gosto

Molho:
Sumo de meia laranja
½ c. sopa maizena
1 c. sopa bem cheia açúcar
1 c. sopa molho sweet chili
2 c. sopa ketchup
1 c. sopa molho de peixe
3 c. sopa molho de soja
3 c. sopa vinagre de sidra ou de arroz
½ ch. água

Arroz Chau-Chau

2 punhados mal cheios de arroz
½ ch. ervilhas
½ ch. milho
2 ovos grandes
1 c. sopa azeite ou manteiga

Num tacho com bastante água a ferver temperada com sal, deitar o arroz. Deixar ferver 3 a 4 minutos e juntar as ervilhas e o milho. Deixar cozer até que o arroz esteja al dente.

Entretanto, tirar a pele aos peitos do pato e cortar em tiras de cerca de 0,5 cm. Colocar numa tigela, juntar a clara de ovo e a maizena e mexer bem até todos os bocados de carne estarem cobertos pela mistura. Numa frigideira, de preferência antiaderente, aquecer o azeite (ou a manteiga) e fritar os bocados de pato em lume forte até estarem dourados dos dois lados. Se necessário, fritar em duas ou três vezes. Retirar para um prato e reservar.

Na mesma frigideira, colocar a cebola e a cenoura e saltear em lume forte 2 a 3 minutos. Juntar os cogumelos e saltear até se evaporar o líquido que deitam. Entretanto, misturar todos os ingredientes para o molho numa taça. Juntar a carne do pato ao tacho e envolver. Juntar o molho e deixar levantar fervura, mexendo sempre para não criar grumos. Baixar o lume e deixar apurar 4 a 5 minutos. Temperar a gosto com sal e piri-piri.

Escorrer o arroz e bater os ovos. Juntar o abacaxi e o pimento à mistura da carne e mexer. Deixar ferver mais 2 minutos. Numa outra frigideira antiaderente aquecer uma colher de sopa de azeite ou manteiga. Deitar os ovos e mexer com uma colher de pau até que alguns pedaços comecem a estar cozidos, mas ainda com bastante ovo líquido. Juntar o arroz com as ervilhas e o milho e mexer muito bem, envolvendo o arroz no ovo ainda cru e distribuindo os pedaços de ovo cozido uniformemente.

Retirar do lume o arroz e o pato, deitar em travessas ou pratos de servir e servir imediatamente.

Notas:
- O que demora mais a fazer neste prato é preparar os vários elementos. Depois de se começar a cozinhar, não deve demorar mais de 15 minutos (máximo!). É, por isso, muito importante que se faça toda a preparação dos legumes, fruta e molho antes de colocar a frigideira ao lume – assim, quando se começar a cozinhar, não é preciso fazer mais nada a não ser concentrarmo-nos no processo, que exige alguma atenção. Ainda assim, demorei cerca de 50 minutos a fazer tudo, incluindo preparar os legumes e a carne;

- O arroz pode ser cozido previamente, com as ervilhas e o milho, se se preferir. O único cuidado a ter é não o deixar cozer demasiado (ainda vai cozer mais um bocadinho com o ovo) e passar bem por água fria para eliminar a goma e parar a cozedura. Se necessário, juntar um fio de azeite e mexer bem, para não colar;

- Passar a carne por clara de ovo ajuda, supostamente, a torna-la mais tenra. Li isso já não sei bem onde e a verdade é que resulta. A maizena torna-a mais crocante e ajuda a engrossar o prato, uma vez que se prepara tudo na mesma frigideira. É importante que a carne seja alourada numa camada única e em lume bem forte, mesmo que seja necessário fazer em 2 ou 3 vezes, para ficar bem dourada. A intenção não é cozer totalmente, apenas alourar. Tudo isto seria muito mais fácil num Wok, mas não tenho e não é absolutamente necessário.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Tiramisu de Limão



A intenção era fazer um tiramisu de lavanda (com a geleia das flores da dita), mas o sabor da lavanda foi completamente obliterado pelo do limão. Mas nem tudo são más notícias… O tiramisu de limão ficou delicioso, e muito mais fresco que a versão tradicional, perfeito para dias quentes! Por isso, aqui fica, enquanto os dias continuam quentes.

Para 6 a 8 pessoas:
250 g mascarpone (deve estar à temperatura ambiente)
4 c. sopa açúcar
Sumo e raspa de dois limões
5 ovos grandes
200 g biscoitos de champanhe

Bater as gemas com o açúcar até estarem cremosas e esbranquiçadas. Juntar o mascarpone e a raspa da casca dos limões e envolver completamente. Bater as claras em castelo (para facilitar, deve juntar-se uma pequena pitada de sal). Envolver com cuidado na mistura de mascarpone, sem bater.

Colocar o sumo dos limões num prato fundo. Juntar igual quantidade de água quente (quem gostar das coisas menos ácidas, pode juntar aqui uma colher de sopa de açúcar). Molhar metade dos biscoitos nesta mistura e colocar no fundo de uma taça de vidro (ou de taças individuais, que foi o que fiz). Cobrir com metade do creme de mascarpone e repetir com os restantes ingredientes. Levar ao frigorífico pelo menos duas horas e servir bem fresco.

Notas:
- Para envolver as claras deve-se começar por colocar uma pequena quantidade de claras (duas ou três colheres de sopa) na mistura de mascarpone e, com uma colher de metal grande, usar movimentos circulares de baixo para cima, rodando a taça para envolver. Depois deve-se juntar o resto das claras em 3 vezes, usando o mesmo procedimento para as envolver: “cortar” a mistura de cima para baixo, com a colher na vertical, até chegar ao fundo; rodando a taça, trazer a colher para cima junto à parede da taça; repetir o movimento de cortar e levantar, rodando a taça entre ¼ e ½ volta de cada vez, até não se verem mais claras antes de incorporar mais.

- Neste tiramisu não acho que o cacau fique muito bem para polvilhar, por isso usei um açúcar com raspa de limão (parecido com este sal, mas feito com açúcar). É totalmente opcional, é só para lhe dar uma piada porque não acho que precise de mais açúcar.

sexta-feira, agosto 17, 2012

Panquecas de Curgete



Há pouco tempo descobri, num blog que adoro, uma receita que me parecia a forma perfeita de comer panquecas ao pequeno-almoço. A Deb, do Smitten Kitchen, conseguiu fazer umas panquecas que não só têm pouquíssima gordura (ainda por cima azeite) e ainda menos açúcar, como as fez com metade da farinha integral e 250 g de curgete ralada. Ou seja, isto é praticamente o equivalente a comer um prato de curgete ao pequeno-almoço!

Além de serem muito saudáveis (principalmente para panquecas), são absolutamente deliciosas, mesmo sem nada. Claro que panquecas exigem acompanhamento, e já que estamos no Verão, resolvi aproveitar a abundância de fruta. Já as fiz com morangos e ficam perfeitas, mas desta vez foram os pêssegos que brilharam como joias em cima destas pequenas maravilhas. Provado e aprovado por todos cá em casa, em particular o Diogo que comeu duas!

Para 12 panquecas de cerca de 10 cm (daqui):
2 c. sopa iogurte grego
2 c. sopa leite
2 ovos
2 c. sopa açúcar
3 c. sopa azeite
250g curgete ralada (uma curgete de cerca de 300 g)
½ ch. farinha integral
½ ch. farinha com fermento
1 c. chá bicarbonato de sódio
1 c. chá canela
1 pitada sal

Acompanhamento:
2 iogurtes gregos não adoçados (um dos quais pode servir para se tirarem as 2 c. sopa para a massa das panquecas)
1 vagem baunilha
2 c. sopa açúcar
2 pêssegos, ou 200 g morangos, ou outra fruta a gosto (amoras, por exemplo)

Fazer primeiro os acompanhamentos:
Descascar e cortar em pedaços pequenos os pêssegos. Deitar 1 c. sopa de açúcar por cima, envolver e deixar repousar enquanto se fazem os outros elementos. Retirar para uma taça 2 c. sopa de um dos iogurtes e deitar o resto numa taça de vidro. Retirar as sementes da vagem de baunilha e juntar ao iogurte. Juntar 1 c. sopa de açúcar e mexer bem.

Fazer as panquecas:
Juntar às 2 c. sopa de iogurte o leite, os ovos, o açúcar e o azeite. Misturar bem. Juntar a curgete e mexer. Numa taça à parte misturar as farinhas, o bicarbonato de sódio, a canela e o sal. Juntar à mistura de curgete e mexer com uma colher de pau até estar incorporado (não bater ou mexer demais!).

Colocar uma frigideira antiaderente em lume médio. Quando estiver quente, deitar colheradas (com uma colher de servir) na frigideira, bem separadas. Achatar ligeiramente as panquecas (se necessário) e deixar cozinhar até estarem douradas por baixo e começarem a rebentar pequenas bolhas por cima. Virar com uma espátula e cozinhar até estarem douradas no outro lado. Manter quentes no forno aquecido a 100º. Servir quentinhas, com o iogurte e a fruta.

Notas:
- Quando se acrescenta a curgete à massa, parece que não vai ser possível incorporar tanta farinha, mas é. A massa fica, inicialmente, muito grossa, mas a curgete deita muito líquido e, se as panquecas demorarem algum tempo a fazer, as últimas serão bem mais líquidas que as primeiras (mas em nada menos deliciosas);

- O passo de manter as panquecas quentes no forno serve dois propósitos: mantém-nas bem quentinhas até à hora de servir; acaba de as cozinhar, uma vez que a massa fica bastante grossa e elas podem não acabar de cozer o suficiente no fogão. Recomendo vivamente não saltar este passo;

- O iogurte grego é mais grosso que o iogurte normal e a vagem de baunilha é um pequeno luxo. Pode-se passar sem ela ou substituir por extracto ou até aroma de baunilha. Ou então, pode-se usar simplesmente um iogurte natural açucarado, de preferência cremoso, ficaria igualmente bom.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Salada com Melancia e Presunto



A ideia para esta salada partiu da “receita” de melancia com flor de sal. A ideia é que se a melancia fica tão bem com flor de sal, e se melão com presunto é uma entrada tão boa, então uma salada com melancia e presunto não pode ser má! Tenho visto por essa internet fora uma enorme quantidade de saladas com melancia e sempre lhes torci o nariz. Mas depois de ter experimentado melancia com sal, converti-me e esta salada já foi feita várias vezes cá em casa.

Apesar de achar que a melancia torna esta salada realmente perfeita, consigo imaginar que fique bem com muitas outras frutas. Por cá já experimentei com nectarina, e ficou boa (embora não tão boa como com a melancia), mas imagino que o melão não lhe fique nada atrás. Experimentem e digam qualquer coisa!

Para 3 pessoas como prato principal ou 6 como acompanhamento:
1 alface média, lavada e partida em pedaços pequenos
2 tomates médios, lavados e cortados em gomos
2 bolas de mozzarella, cortadas em cubos
1 cebola pequena, cortada em gomos finos (se for brava, marinar em vinagre de vinho e uma pitada de sal 5 a 10 minutos)
2 fatias grossas de melancia, sem sementes, cortada em cubos
½ ch. folhas de manjerico
Flor de sal com pólen de abelhas
Azeite e vinagre de vinho a gosto

Nos pratos (ou numa taça grande) colocar uma cama de alface. Temperar com a flor de sal com pólen de abelhas. Por cima dispor os gomos de tomate, espalhar metade das folhas de manjerico e temperar novamente. Colocar por cima a cebola (se marinada, bem escorrida), a melancia e a mozzarella e voltar a temperar. Arranjar as fatias de presunto no cimo da salada e polvilhar com o restante manjerico. Servir imediatamente, com azeite e vinagre para temperar a gosto.

É importante temperar cada camada da salada com a flor de sal (ou sal normal), caso contrário, uma vez que a salada é servida em camadas e não é mexida, as camadas de baixo acabam por não ser temperadas. De qualquer forma, aconselho mão leve no tempero de cada camada, até porque o presunto já é salgado.

sexta-feira, agosto 10, 2012

Sangria Branca de Pêssego e Baunilha



Esta sangria surgiu porque tinha em casa uma garrafa de vinho branco de qualidade duvidosa, que não me apetecia beber, mas que também não me parecia bem deitar fora. A fruteira estava cheia de pêssegos, aromáticos mas não muito maduros, e já que a baunilha combina tão bem com pêssego, quis fazer a sangria apenas com estes sabores. Em boa hora o fiz! Acho mesmo que é a melhor sangria que já fiz, e olhem que tenho feito bastantes. Agora imaginem isto com um vinho mesmo bom!...

500 ml vinho branco bem fresco (usei verde e acho que, em sangria, resulta melhor)
250 ml refrigerante de lima-limão bem fresco
1 pêssego grande (ou nectarina, ou dois pequenos)
Açúcar a gosto

Lavar o pêssego e partir em cubos de cerca de 1,5 cm. Não costumo tirar a pele, mas quem não gostar da pele do pêssego pode descascá-lo. Deitá-lo num jarro, juntamente com o açúcar e o extracto de baunilha. Deixar macerar no frigorífico cerca de 30 minutos, mexendo de vez em quando. Juntar o vinho e mexer bem. Juntar o refrigerante e agitar com cuidado, para não perder o gás. Servir bem fresco ou com gelo.

Notas:
- A quantidade de açúcar a usar depende muito do vinho: se for frutado e doce, vai precisar de menos açúcar. Eu usei 4 c. sopa e ficou doce demais. Aconselho começar com 2 c. sopa, e acrescentar mais se necessário.

- O extracto de baunilha deve ser do verdadeiro, feito em casa ou comprado. O aroma de baunilha que se compra nos supermercados é escuro (o que vai afectar a cor da sangria) e não tem o mesmo sabor. Desde que fiz o meu extracto, nunca mais comprei aroma e está na hora de comprar mais baunilha para renovar o stock!

sexta-feira, julho 20, 2012

Melancia com Flor de Sal com Pólen de Abelhas



Há receitas que, não o sendo, não deixam de ser excelentes ideias que merecem ser partilhadas. E esta é um exemplo perfeito disso. Há já algum tempo descobri o blog de um chef norte-aemricano, descendente de portugueses (dos Açores), com um nome bem português e um livro absolutamente delicioso: o David Leite, e o livro dele, The New Portuguese Table. Ainda não tenho o livro, mas tenho descoberto receitas dele através do blog (e de outros blogs) e é uma das prioridades na minha (enorme) lista de livros de culinária a adquirir assim que o dinheiro sobre e as estantes cresçam.

No blog do David Leite desfilam uma série de receitas dele e de muitos outros chefs e autores de livros e blogs, todas elas de aspecto fantástico. Esta, não sendo bem uma receita e não tendo um aspecto particularmente chamativo, captou-me a atenção pelo invulgar da combinação: melancia e flor de sal. Quando recebi a Flor de Sal com Pólen de Abelhas, decidi que era aqui que a ia experimentar e não me arrependi. Adoro melancia, fresca, doce, sumarenta, a fruta perfeita para um dia quente de Verão. Acrescentar-lhe uma pequeníssima pitada de flor de sal (neste caso, com pólen de abelhas) faz sobressair o sabor e a doçura da melancia de uma forma completamente inesperada. É, sinceramente, uma das melhores coisas que experimentei nos últimos tempos. Se não acreditem, experimentem!

Melancia madura, fresca, de preferência sem pevides
Flor de Sal com Pólen de Abelhas (ou só flor de sal)

Cortar a melancia em fatias com 1,5 a 2 cm de grossura. Partir as fatias ao meio e polvilhar com uma pitada de flor de sal com pólen de abelhas. Servir imediatamente, antes do sal derreter.

A foto não faz justiça a esta maravilhosa flor de sal, com o aroma doce do pólen. O sabor da melancia, no entanto, é perfeito!

quarta-feira, julho 18, 2012

Hash


Há algum tempo a Moira, da Tertúlia de Sabores, partilhou na sua página do Facebook um link para o site da Casa do Sal, onde eles diziam oferecer dois exemplares à escolha dos produtos deles a quem tivesse um blog de receitas em Português. Sem a menor esperança de receber alguma coisa, porque o meu blog mal merece esse nome e porque imaginei que deveria haver muitos mais a querer esta deliciosa oferta, lá me inscrevi e escolhi o Sal Picante para Grelhados e a Flor de Sal com Pólen de Abelhas. Há mais ou menos uma semana, chegaram os dois pelo correio.


Fiquei encantada e logo comecei a imaginar como os iria utilizar. A verdade é que este Sal Picante para Grelhados tem servido para tudo cá em casa, desde temperar carne e peixe para grelhar, até estufados ou mesmo uma massa de arroz que usei para fazer uns rolinhos primavera, mas até agora ainda não o tinha usado em nada que me parecesse digno de partilhar. Afinal, qualquer pessoa consegue grelhar uma costeleta…

Mas quando vi esta receita de Bacon Corn Hash, num dos meus blogs preferidos, soube imediatamente que era aqui que este sal ia brilhar, e soube também o que seria o almoço! Quanto ao nome, sinceramente não sei o que lhe chamar senão o original Hash… Se alguém por aí souber como traduzir isto, que me diga. É uma espécie de salteado, normalmente com batatas e algum tipo de carne, mas que pode ser alterado ao gosto de cada um.

Acabei por fazer uma versão muito diferente da original, com mais legumes, que fez um enorme sucesso cá em casa. O sal, apesar de picante, não deixa o prato assim tão picante e até o pequeno cá de casa comeu a parte dele. Aqui vai…


Para 3 pessoas:
150 g bacon inteiro
1 cenoura média
1 courgette média
1 brócolo pequeno
4 a 5 batatas novas pequenas
1 ch. bem cheia de milho
25 a 50 g manteiga
1 c. sopa óleo
3 ou 4 ovos
Sal picante para grelhados
Salsa picada a gosto (usei cerca de 3 c. sopa)

Cortar o bacon em cubos de 0,5 cm. Lavar bem as batatas, esfregando a pele mas sem descascar. Descascar a cenoura e lavar bem a courgette e o brócolo. Separar o brócolo em raminhos pequenos, cortar a cenoura em meias luas finas, a courgette em tiras de 1 cm de lado e as batatas em cubos de 1,5 cm.

Numa frigideira larga anti-aderente, colocar o bacon e levar ao lume. Deixar o bacon fritar na própria gordura até estar bem dourado e estaladiço. Retirar e escorrer em papel de cozinha.

Na mesma frigideira, acrescentar 25 a 50 g de manteiga (depende da quantidade de gordura libertada pelo bacon) e o óleo (para a manteiga não queimar) e deitar as batatas, numa só camada. Temperar com Sal Picante para Grelhados a gosto. Deixar fritar em lume médio alto até estarem douradas de um lado. Mexer e virar, aumentar o lume e deixar fritar até dourar de todos os lados. Retirar e escorrer em papel de cozinha.

Retirar parte da gordura da frigideira para uma tigela, deixando 1 a 2 colheres de sopa na frigideira. Deitar as courgettes, temperar com Sal Picante para Grelhados a gosto, envolver na gordura e deixar em lume bem forte até dourarem. Mexer e deixar dourar, sem que fiquem moles, não mais do que 5 minutos ao todo. Retirar e, se necessário, escorrer em papel absorvente.

Colocar mais 1 colher de sopa da gordura na frigideira e juntar a cenoura e os brócolos. Deixar ficar sem mexer 1 a 2 minutos, e juntar o milho (se for congelado, não é necessário descongelar; se for de lata, escorrer bem). Temperar com Sal Picante para Grelhados a gosto. Mexer e deixar saltear por 3 a 5 minutos. Juntar as courgettes, as batatas e o bacon, mexer bem e deixar aquecer. Polvilhar com salsa picada, envolver, retirar para os pratos ou para uma assadeira.

Na mesma frigideira, juntar mais 1 ou 2 colheres de manteiga, baixar o lume para médio e colocar os ovos. Tapar e deixar estrelar até que estejam a gosto (nós gostamos deles com a gema bem líquida). Colocar os ovos em cima dos legumes e servir imediatamente.

Notas:
- O facto de se fazer tudo na mesma frigideira não é só mais prático, contribui também muito para o sabor, uma vez que o bacon deixa lá muito sabor que, depois, se transfere para os legumes.

- Isto não é fast food: deixar alourar o bacon e as batatas demora tempo, pelo menos 15 a 20 minutos, e a própria preparação dos legumes é demorada (10 a 20 minutos, dependendo da habilidade e prática do cozinheiro). Já os legumes devem cozer pouco, para se manterem crocantes. Demorei cerca de 45 minutos a preparar tudo, de início a fim.

- É importante temperar cada legume na frigideira, caso contrário o parto ficará insosso. Não coloquei muito sal de cada vez, ao todo devo ter usado umas 2 colheres de chá bem cheias, no máximo, mas deve-se temperar a gosto.

- Outra coisa que este prato não é, apesar da quantidade de legumes, é propriamente saudável: tem bacon e manteiga suficientes para eliminar muitos dos benefícios dos legumes. Para o fazer bastante mais saudável, usar azeite em vez de manteiga e eliminar o bacon. Apesar de lhe dar muito sabor, não é essencial, tenho a certeza que sem ele ficaria igualmente bom.

quinta-feira, julho 12, 2012

Torta da Luísa




Esta receita foi-me dada por uma amiga de uma amiga (a Luísa que, além desta, me deu também a receita dos melhores coquinhos que já comi na vida), há uma data de anos. Por alguma razão, e apesar da geleia de marmelo abundar cá por casa e raramente ser comida sozinha, apenas a fiz uma vez. Quando andava a pensar em formas de usar a geleia de flores de rosmaninho, lembrei-me imediatamente desta torta.

É fácil de fazer, fica muito fofa e é mais fácil ainda de enrolar, o que não pode ser dito de todas as tortas. Desta vez recheei apenas com a geleia, simples, para lhe dar o devido destaque, mas um dia destes vou experimentar um recheio de morangos e chantilly, que adoro, ou mousse de chocolate… Hummm!

6 ovos
O mesmo peso dos ovos de açúcar (mais algum para enrolar)
Metade do peso dos ovos de farinha
Raspa da casca de 1 limão
Geleia para rechear (usei a de flores de rosmaninho)

Aquecer o forno a 180º. Untar um tabuleiro (usei de 25x40 cm) e forrar com papel vegetal. Untar e polvilhar com farinha o papel.

Bater as gemas com o açúcar até ficarem espessas e esbranquiçadas. Bater as claras em castelo. Juntar a farinha peneirada aos poucos, alternando com as claras, envolvendo com cuidado em movimentos circulares de baixo para cima. Deitar a massa no tabuleiro, alisar bem a superfície e levar ao forno 20 a 25 minutos, até um palito espetado no centro do bolo sair seco.

Desenformar sobre um pano limpo polvilhado de açúcar, retirar o papel vegetal, cobrir com uma camada fina de geleia (se necessário, aquecer um pouco para ficar mais líquida). Enrolar com a ajuda do pano e deixar arrefecer embrulhada. Desta vez, como a geleia estava bastante presa e demorei mais algum tempo a enrolar a torta, ela rachou, o que não impediu que tenha feito as delícias de toda a gente cá em casa. Quanto mais depressa se enrolar a torta, menor é a probabilidade de rachar.