terça-feira, dezembro 20, 2011

Uma Grande Família e as Prendas de Natal



Como quem me conhece sabe bem, tenho uma grande família. A minha mãe é a quinta de dez irmãos. É uma família grande (já com 50 pessoas e a crescer a olhos vistos), mas também uma grande família pois, apesar de alguns arrufos, todos se dão bem e continuamos a sentir que somos, de facto, uma grande família. Este ano decidimos pôr em prática uma ideia antiga e fazer um almoço de Natal. Foi uma tarde fantástica, passada em família, com pessoas absolutamente maravilhosas de quem me orgulho de ser familiar. Percebo, hoje, que não há muitas famílias como a nossa e, por isso, sou grata todos os dias.



Como somos tantos, dar prendas a toda a gente é praticamente impossível. Então está, desde há muito, instituída a “regra não escrita” de não dar prendas aos adultos e dar apenas às crianças. Este ano não foi diferente: para a miudagem foi Natal mais cedo e até o Diogo ficou deliciado com a enorme quantidade de prendas que a generosa família lhe deu.


Como não podia deixar de ser, em vez de brinquedos, dei coisas doces, desta vez numa embalagem diferente. Este ano resolvi fazer uma meia de Natal para o Diogo, para pendurar no pinheiro (que chaminé não há cá em casa). Ficou tão gira que resolvi logo que seria uma boa ideia de prenda para os garotos da família. E assim foi: uma meia a cada um (vermelha para os meninos, branca para as meninas), com a inicial de cada um e recheada de coisas doces.

Para recheio, fiz estas bolachinhas (já perdi a conta à quantidade de vezes que as fiz e ainda não me deixaram ficar mal), uns caramelos de baunilha que, apesar de terem ficado deliciosos, ainda precisam de ajustes antes de virem aqui parar, e este fudge. É das coisas mais fáceis que já fiz, demora, literalmente, 5 minutos a preparar, mais 1 hora a arrefecer 15 minutos para embrulhar, é perfeito para oferecer no Natal e não houve ninguém que o tivesse provado que não tivesse aprovado (incluindo uma prima que disse não gostar de nozes!).



Fudge de Chocolate e Nozes (adaptado daqui)
Ingredientes (para cerca de 70 rectângulos de 3x2 cm de lado e 1 cm de altura):
1 lata leite condensado
500 g chocolate de culinária (ou outro com pelo menos 45% de cacau)
½ ch. nozes partidas em bocados

Untar um tabuleiro quadrado de 22 cm de lado com manteiga e forrar com papel vegetal. Derreter o chocolate com o leite condensado no micro-ondas (no meu, a 600W, demorou 2 a 3 minutos). Mexer bem até estar homogéneo. Fica uma massa grossa, difícil de mexer, por isso é importante fazer isto enquanto está bem quente.
Juntar as nozes partidas e misturar de forma a ficarem bem distribuídas. Espalhar no tabuleiro e deixar arrefecer (para ser mais rápido, colocar no frigorífico). Quando estiver frio, cortar em quadrados e embrumar cada quadrado individualmente em papel vegetal.

Notas:
- As nozes são opcionais: podem eliminar-se, ou substituir-se por amêndoas peladas, avelãs torradas ou ainda mais chocolate, sob a forma de pepitas. Imagino que ficasse, também, muito bom com pedacinhos de caramelos de nata… É uma ideia a experimentar, um dia destes!
- Eu embrulhei os quadradinhos com a forma de rebuçados, mas podem embrulhar-se como pequenos presentes. Podem, alternativamente, fazer-se quadrados maiores e embrulhar em papel colorido (forrado de papel vegetal), atados com uma fitinha.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Bolo-Rei



…Ou Rainha, ou o que a gente dele quiser fazer. Há alguns anos que venho fazendo bolo-rei em casa. Não porque não haja por aí fartura de bons bolos-reis, mas porque cá em casa ninguém gosta de frutas cristalizadas e não nos apetece minimamente pagar a exorbitância que se costuma cobrar por bolo-rainha… Principalmente quando há amêndoas caseiras em abundância! Então, depois de muito pedir, a minha cunhada arranjou-me uma receita de bolo-rei de uma amiga, de família, secreta. E absolutamente maravilhosa! Não sei quem foi a amiga, mas desde já aqui fica o meu muitíssimo obrigada pela receita, é verdadeiramente esplêndida!

         E não, não é essa que aqui vou deixar… Afinal, é secreta e foi passada à minha cunhadinha com a promessa de que não seria revelada a ninguém, portanto, fique descansada amiga que a sua receita está segura! Esta é outra, não tão esplêndida, mas muito mais fácil de preparar e de resultados extremamente satisfatórios. Baseada nesta receita de pão, já tantas vezes testada e sempre aprovada, resolvi fazer algumas alterações aos ingredientes, mantendo o método. O resultado não podia ter sido melhor! Tão bom, de facto, que resolvi fazer outra vez e fotografar, só para poder partilhar convosco a tempo do Natal! Bom apetite!

Ingredientes (para um bolo-rei de cerca de 800g):
100 ml leite
50 g manteiga
75g açúcar
2 ovos
2 c. sopa vinho do Porto
2 ch. + ½ ch. farinha sem fermento tipo 65 (240g + 60g)
½ pacote fermento de padeiro seco (usei Fermipan)
¼ c. chá bem cheia de fermento em pó
¼ c. chá mal cheia de bicarbonato de sódio
1 c. chá sal fino
1 ½ ch. mistura de frutos secos picados grosseiramente (ou uma mistura de frutos secos e cristalizados; neste caso, reduzir a quantidade de açúcar para 50g)
1 ovo para pincelar
Frutas secas e cristalizadas, geleia e açúcar em pó para decorar

Aquecer o leite com a manteiga até esta derreter. Bater os ovos com açúcar e o vinho do Porto. Juntar aos ovos o leite quente em fio e mexendo sempre. Juntar 2 ch. de farinha e o fermento de padeiro e mexer até incorporar. Tapar com um pano e deixar levedar 1 hora.

Juntar mais ½ ch. de farinha, o fermento em pó, o bicarbonato e o sal e mexer bem. Juntar os frutos secos (ou secos e cristalizados) e mexer até estarem bem distribuídos. A massa deverá ficar relativamente mole, um pouco difícil de trabalhar, mas o suficiente para formar o bolo. Senão, deixar repousar no frigorífico uma ou duas horas, até estar mais firme.

Forrar um tabuleiro com papel vegetal e polvilhar com farinha. Deitar a massa no tabuleiro, formar uma bola e abrir um buraco no meio. Convém que o buraco fique bem grande, pois o bolo leveda e tende a fechar se não for suficientemente grande (mas, também, não vem mal ao mundo se o bolo rei não tiver buraco – o meu não teve…). Tapar com um pano e deixar levedar até dobrar de volume, 1 a 2 horas.

Aquecer o forno a 180º. Pincelar o bolo-rei com a gema batida com um pouco de leite e enfeitar com os frutos. Fazer montinhos com o açúcar em pó no meio das frutas. Quando o forno estiver quente, colocar o tabuleiro com o bolo no meio do forno e deixar cozer 20 a 30 minutos (o meu demorou pouco mais de 20 minutos), até estar dourado e bem cozido (se lhe batermos no fundo, deve soar a “oco”).

Retirar do forno, aquecer a geleia no microondas (1 ou 2 colheres de sopa chegam) até estar líquida e pincelar todo o bolo, incluindo as frutas.

Notas:
- O comentário cá em casa foi que o bolo não parecia bolo-rei, porque estava extremamente fofo. É assim que eu gosto dele, bem fofinho, mas se o quiserem menos fofo, é só juntar mais alguma farinha, ½ ch. a mais deverá chegar. Esta adição de farinha tem também o efeito de tornar a massa mais consistente, mais fácil de moldar sem ter que ir ao frigorífico.

- O bolo que fiz levou apenas 50g de açúcar, mas estava pouco doce (quase nada). Esta quantidade deverá dar um bolo-rei, ainda assim, pouco doce. Se quiserem, podem aumentar, mas não aconselho a aumentar muito – o bolo-rei não é um bolo propriamente doce.