quinta-feira, abril 21, 2011

Pão de Centeio e Azeite

 
Adoro fazer pão. Comecei há alguns anos por inspiração do excelente blog Pão, Bolos e Cia. (dêem lá um salto, vale mesmo a pena!) e, desde que o meu querido maridinho me ofereceu uma máquina de fazer pão no Natal, há dois anos, nunca mais parei. Ajuda o facto de viver metade do tempo em Bragança, a terra onde o conceito de Pão Quente ainda não chegou. Não me entendam mal, o pão transmontano é maravilhoso, mas gosto de pão mais fofo para fazer sandes, com uma côdea menos dura e espessa, e foi assim que comecei a fazer o meu próprio pão.
Como a máquina está em Bragança e eu passo metade do meu tempo no Porto, a receita do Artisan Bread pareceu-me, imediatamente, extremamente tentadora. Vi pela primeira vez no Pão Bolos e Cia. e não passou muito tempo até experimentar. Apesar da facilidade de poder deixar a massa no frigorífico para quando for preciso, ela é tão fácil de fazer que faço sempre a quantidade certa de que preciso e já a usei para tudo: desde pão a pizza, passando pela focaccia.
Normalmente uso a receita base, ou a receita da massa de pizza com azeite, que fica mais gostosa e macia. Todas estas receitas vêm do mesmo sítio: é a minha referência preferida para pão, as receitas são excelentes e resultam sempre. Desta vez, resolvi acrescentar um resto de farinha de centeio que já andava a chatear-me há uns meses. Também houve uma coisa que fiz diferente: em vez de seguir o método normal, como estava em Bragança, simplesmente pus tudo na MFP e deixei que a máquina fizesse o trabalho. O resultado não podia ter sido melhor. Aliás, tão bom que decidi que seria este o primeiro pão a ser partilhado no blog! Aqui está:

Para 1 pão:
300 ml água morna
50 ml azeite
½ c. sopa sal
70 g farinha de centeio
430 g farinha de trigo
½ c. sopa fermento de padeiro seco

Coloca-se os ingredientes na máquina de fazer pão pela ordem indicada, liga-se o programa Massa e deixa-se chegar ao fim. Depois de apitar, deixa-se ficar mais meia hora.
Tira-se da máquina, dá-se a forma de um cilindro e coloca-se numa forma de bolo inglês untada com azeite. Deixa-se levedar mais duas horas. Liga-se o forno a 200º e, quando estiver bem quente, dão-se uns golpes no pão na diagonal (uma faca de serrilha bem afiada funciona melhor) e vai ao forno a cozer.
O meu começou a ficar dourado ao fim de 20 minutos, então tapei com papel de alumínio e deixei mais 20 minutos (40 no total). Ficou com uma côdea deliciosa, estaladiça e relativamente grossa. Se tivesse cozido menos 5 ou 10 minutos teria, provavelmente, ficado com a côdea mais fina.

Notas:
- O azeite dá uma textura e sabor inconfundível à massa e, principalmente à côdea. Se não gostarem de azeite, podem untar a forma com manteiga, deve ficar igualmente delicioso;
- Pode-se fazer este pão recorrendo ao método normal do Artisan Bread, tão bem explicado e demonstrado no Pão, Bolos e Cia. (uma dica: não exige tempos infinitos a amassar, é mesmo fácil);
- O miolo deste pão é muito macio e, como tem pouca farinha de centeio, tem apenas um toque de cor e sabor diferentes. O pão ficou tão bom, tão cheiroso e tão irresistível que foi, nessa noite, o meu jantar, assim mesmo, sem mais nada!

terça-feira, abril 19, 2011

Bola de Carne



Neste momento, e já há alguns meses, o meu blog favorito é o da Pioneer Woman. E não é só pela comida… Acho a história dela maravilhosa (até já deu romance) e adoro a forma como ela escreve e as fotos maravilhosas que tira, das coisas mais simples às mais elaboradas. É um blog multifacetado mas não há dúvidas que o que me traz de volta uma e outra vez é a comida: simples, deliciosa, e às vezes (poucas) até equilibrada. Comida para homens e miúdos saudáveis e comilões, e para mulheres como eu: que gostam de comer e cozinhar e de ver os outros a comer o que nós fazemos.
Uma das coisas que há muito me despertou a curiosidade neste blog foi a versão dela dos tão americanos (e deliciosos) Cinnamon Rolls, ou rolos de canela. Parecia extraordinariamente simples e com a vantagem de poder esperar no frigorífico até estarmos prontos ou termos tempo para tratar dela devidamente. Perfeito!
Por isso, quando no Domingo me apeteceu fazer uma bola de carne para a madrinha do meu piolho, lembrei-me daquela massa que a Pioneer Woman usa não só para os Cinnamon Rolls, mas também para fazer Dinner Rolls. Só tinha um pequeno problema: a massa não levava ovos e uma bola de carne tem que levar ovos… Então adaptei: substitui metade do leite por ovos, substitui o óleo por manteiga e reduzi a quantidade de açúcar para um quarto (não queria uma massa doce).
Só posso dizer que esta foi a primeira de muitas vezes que vou utilizar esta massa, com estas adaptações, com outras, ou sem adaptações nenhumas: é maravilhosa, incrivelmente fácil de fazer, e resultou numa bola fofa e tão saborosa dois dias depois como na hora em que foi feita! Uma óptima ideia para a Páscoa, ou para outra altura qualquer. Recomendo vivamente e acho que para a próxima vou fazer os tais Cinnamon Rolls.
Já agora, o Diogo já tem a peça nova na barra e outra de reserva. A ver vamos quanto tempo dura esta...

Para uma bola com mais ou menos 25x40 cm:
Massa (adaptada daqui)
1 ch. leite
100 g. manteiga
2 c. sopa açúcar
1 pacote fermento de padeiro seco (usei Fermipan)
1 ch. ovos (4 ovos tamanho M)
4 ch. + ½ ch. farinha de trigo T65
½ c. chá bem cheia fermento (pó Royal)
½ c. chá mal cheia bicarbonato de sódio
1 c. chá sal

Recheio:
150 g chourição
200 g fiambre
100g bacon fatiado

Deita-se o leite, a manteiga e o açúcar num tacho grande e escalda-se – deixa-se aquecer até estar quase a ferver. Tira-se do lume e deixa-se arrefecer até estar morno, mas não quente (ao colocar a mão no lado de fora do tacho, ele deve estar bem morno, mas não escaldar).
Deita-se o fermento de padeiro por cima e deixa-se hidratar. Batem-se os ovos e untam-se à mistura de leite. Acrescentam-se 4 ch. de farinha e mexe-se com uma colher de pau até estar bem incorporado. Tapa-se o tacho e deixa-se levedar em lugar quente até dobrar de volume (pus um pano dobrado em 4 em cima do bico de vitrocerâmica onde aqueci o leite e coloquei o tacho por cima; demorou pouco mais de meia hora a levedar).
Quando tiver dobrado de volume, deita-se mais ½ ch. de farinha, o sal, o fermento (Royal) e o bicarbonato de sódio e mexe-se com uma colher de pau até estar bem incorporado.
A massa fica muito mole e difícil de estender. Segundo as instruções da Pioneer Woman, pode-se levar ao frigorífico por umas horas para ficar mais consistente e fácil de estender, mas é claro que eu não fiz isso…
Unta-se um tabuleiro de 25x40 cm com azeite e deita-se metade da massa. Vai-se estendendo com os dedos também untados até estar esticada de forma mais ou menos consistente. Como não costumo conseguir tapar todo o tabuleiro, estico o melhor que consigo e depois faço o resto do trabalho com as carnes: ponho uma fatia de fiambre num canto da massa e vou empurrando o fiambre, e a massa junto, até ao canto do tabuleiro. Vou fazendo o mesmo no resto da massa com mais fiambre.
Por cima do fiambre coloco o chourição, depois o bacon, e termino com mais uma camada de fiambre. Coloca-se o resto da massa por cima e estende-se até cobrir todo o recheio. Se necessário, puxar a massa de baixo para unir bem as bordas e tapar totalmente as carnes. Unta-se o topo da massa com azeite, tapa-se com um pano e deixa-se levedar novamente até dobrar de volume novamente (mais ou menos 1 hora).
Aquece-se o forno a 200º e vai ao forno 20 a 30 minutos. Se começar a dourar depressa demais, cobre-se com papel de alumínio.

Notas:
- As carnes que uso são, normalmente, estas. Uso o dobro do fiambre por não ser tão salgado. Desta vez o chourição estava cortado muito grosso; desconfio que em fatias mais finas 100 g tinham chegado. Cada um pode usar o que preferir, inclusive carnes cozinhadas desfiadas, como frango ou carne de porco;
- No blog de onde veio a receita tem um passo a passo excelente, que mostra todos os passos e o aspecto com que a massa fica, antes e depois de levedar;
- O uso de fermento químico e bicarbonato de sódio numa massa lêveda pareceu-me estranho, mas fiz exactamente como ela manda e resultou bem, portanto, deve haver alguma razão que eu não conheço para que assim seja.

segunda-feira, abril 11, 2011

Um bom dia

Pois é, nem só de pão vive o homem, e nem só de cozinhar vive esta mulher (com muita pena minha).
Quem me conhece já sabe disto, mas como pode haver alguém por aí que não me conhece de lado nenhum e que venha cá parar por obra e graça do espírito santo, vou contar uma pequena história com final (provisório) feliz.
O meu filho, agora com 18 meses (fez ontem!), nasceu com pé boto. Pé boto é uma malformação congénita do pé, em que o pé afectado está virado para dentro e para cima, com a planta quase (ou mesmo, no caso do Diogo) encostada à parte de dentro do tornozelo. Parece uma enorme desgraça, e para muita gente e durante muito tempo foi, mas um médico maravilhoso descobriu uma forma simples e altamente eficaz de tratar esta condição: o Dr. Ponseti

Depois de muito pesquisar na net, escolhemos este método de tratamento e o Dr. Nuno Alegrete como médico, a quem tenho muito que agradecer pela simpatia e disponibilidade que sempre mostrou, desde antes de o Diogo nascer. O Diogo foi tratado com 3 dias de vida, gessos semanais até aos dois meses de idade, com uma tenotomia pelo meio, e desde então usa umas botas especiais, inicialmente 23 horas por dia, agora só 14 (para dormir e pouco mais).

Descobri, entretanto, que existe uma verdadeira comunidade de pais de crianças com pé boto, composta exclusivamente por pessoas maravilhosas, de uma generosidade sem limites, algumas das quais me receberam de braços abertos quando lhes pedi ajuda (Rita, Catarina, obrigada hoje e sempre!). A “família” vai crescendo, com todos os novos “membros” a serem recebidos de braços abertos. Daí esta história, por isso e porque, hoje, tive uma boa notícia que me restaurou a fé na humanidade e até no frio mundo dos negócios.

Ontem, por ser tão "pequenino e franzino", o Diogo partiu uma peça da barra que liga as botas especiais que ele usa. Uma peça de plástico na barra de metal. Na barra que custa 80 libras e que vem especialmente da Inglaterra… Fui ao site da empresa a quem comprei as botas e a barra e vi que a barra tem garantia vitalícia: se partir, eles substituem. Sem grandes esperanças (a garantia não se deve estender à peça de plástico, deve ser só para a parte metálica) enviei um e-mail para a empresa, com o meu nome e e-mail e a expor o problema. Ontem, Domingo, a meio da tarde.
Hoje, mal abri o computador de manhã, tive a resposta: a garantia é, de facto, vitalícia e para toda a barra (incluindo as peças de plástico) e a peça de substituição ia ser enviada ainda hoje.
Fiquei felicíssima, respondi a agradecer e a perguntar se haveria alguma forma de evitar que a peça voltasse a partir-se. A resposta, mais uma vez, não se fez esperar: no correio não foi uma peça, foram duas, para o caso de voltar a acontecer!
O que dizer?... Sei que é uma questão de política da empresa que fabrica as botas (uma companhia americana) e da empresa que as distribui, sei que é o trabalho deles, mas a descoberta de uma política tão generosa em tempos em que ela é tão rara, quase me levou às lágrimas e tornou um dia que ameaçava ser medíocre, num dia francamente bom. Às duas empresas (C-ProDirect e MD Orthopaedics) só posso agradecer, por terem políticas de serviço aos clientes tão boas e por as porem em prática de forma tão célere.
Já agora, o pé do Diogo está óptimo, ele já anda (aliás, corre tudo) e estamos felicíssimos com a evolução do pé dele.

Aproveito, também, para agradecer às pessoas que encontrei neste caminho e que tanto me deram: Rita, Catarina, Sílvia, e principalmente ao Dr. Nuno Alegrete, por ter cuidado tão bem do pé do meu pequenote.
Se alguém aqui passar e isto lhe disser alguma coisa, só posso fazer como me fizeram a mim: estou ao vosso inteiro dispor para qualquer ajuda ou indicação de que precisem. Vejo o e-mail todos os dias e nunca vou dizer que não, disponham!
Obrigada a todos e uma boa semana!